Seus olhos estavam em mim e de alguma forma nada mais tinha importância. Ela estava ali, com os lábios rosados curvando-se em um doce sorriso – desejei aqueles lábios, desejei senti-los, abrasadores, contra os meus, desvendar-lhes o sabor... Duas metades de um pomo cor-de-rosa. Quem toca-lo será eterno. – Estávamos com um espaço mínimo entre nós. Sua pele contra a minha, suas mãos no meu pescoço, rostos colados e o mundo havia desaparecido, ela era o meu mundo. Estávamos sós. Minhas mãos trêmulas em sua cintura, a respiração ofegante, estava em febre...
Suas mãos se moveram eriçando minha nuca, senti seu rosto também movendo-se, colado ao meu. Sua pele, tão alva, tão cândida, era tão suave ao toque, – pensei subitamente em friccionar meu rosto naquela pele, assim como um gato que busca carinho. – fechei os olhos: Sou seu, as palavras dissolveram-se na ponta da língua e ficaram pairando no pensamento. Ela puxou-me pressionando seu corpo contra o meu destruindo qualquer partícula de ar que ainda poderia existir entre nós. Meus olhos se abriram, eu estava com um misto de surpresa, medo e extasse. – Quis retribuir o abraço com a intensidade de meus desejos, mas temi assusta-la. Contive, forçadamente, o impulso e apenas encaixei meu queixo na curva de seu pescoço, pude aspirar o seu cheiro. – Senti o seu peito subir e descer sobre o meu, e dentro deste último o coração soltava o freio.
A minha voz perdeu-se, mas a dela saiu em notas suaves bem ao pé do ouvido. – Quieto meu coração, repreendi mentalmente. Temia que ele revelasse um segredo que eu queria contar, tão estranho, pensei. Iria contar...
Em um sussurro ela soprou ao meu ouvido uma única palavra, – sua respiração era quente. – um momento tão doce e tão amargo. Voltei a perceber o mundo ao meu redor, tão cinza. Depois do obrigado ela desceu seus lábios até o meio do meu rosto. Ao estalo do beijo meu peito comportou-se, meu coração já estava com as mãos no freio. Olhou-me carinhosamente nos olhos e partiu. Fiquei sozinho com o peito angustiado. Tantas palavras que não consegui soltar, tanta coisa que senti e ela nem imagina.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
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